Casa da Calçada

Casa da Calçada - história

Como é comum nas casas senhoriais portuguesas, a Casa da Calçada começou por ser uma construção rural como muitas outras que anonimamente pontuam a paisagem. De planta rectangular de 17,80m por 6,62m, foi feita em pedra com todas as características linguísticas vernaculares da região: muros em granito com vãos pequenos desemoldurados, e cornija também em granito que remata superiormente de forma simples esses muros. O telhado tem uma estrutura em madeira coberta com telha romana.
Mais tarde, já no sec. XVIII, a casa passa por um aumento que de grosso modo lhe confere aquele que é ainda hoje o tronco central da sua forma.

Entretanto, já na posse do Monsenhor António Pinto d' Abreu, a casa sofreu a sua última grande transformação. Proprietário, na altura, do antigo colégio Vasco da Gama em Lisboa, pretendeu criar condições para que a Casa da Calçada se tornasse numa colónia de férias. Deste modo, os alunos e alguns professores deslocar-se-iam para Oliveira do Douro durante o período das férias de Verão, desfrutando dos magníficos ares e prazeres da região. Para que tal fosse feito dentro dos níveis de comodidade já exigíveis na época, houve que proceder a bastantes adaptações e alterações do já existente. Para além da luz eléctrica, águas correntes e apoio dos quartos para alunos feitos no sótão da casa, e para os professores, no primeiro piso, decidiu-se recorrer à mestria dum arquitecto familiar e amigo, o Sr. António Couto d' Abreu, para que este desenhasse não só a adaptação do edifício a essa nova função, mas também a criação de uma capela e varanda/percurso de acesso à mesma. Esse acrescento feito na empena  leste da casa deveria ser simultaneamente a sua nova entrada.

Todo o trabalho levado a cabo na Casa da Calçada, é exemplar duma época conturbada, fundamental para a compreensão de alguns fenómenos particulares do começo da nossa modernidade e da sua importância na região do Douro genericamente e no concelho de Cinfães em particular.
É sem dúvida, pela sua complexidade e qualidade da intervenção, uma obra única na região. Desde logo nos surpreende o facto de todo quele magnífico trabalho de cantaria ter sido executado exclusivamente com mão-de-obra, técnicas e materiais existentes na região, algumas surpreendentes como o cimento armado ou a pedra serrada. Ainda hoje são muitos os que na zona recordam com orgulho a sua própria participação ou de familiares chegados nessa "empreitada". Seguidamente, surpeende-nos também pela originalidade da composição.

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